EVERYBODY DIGS BILL EVANS

Cartaz do filme EVERYBODY DIGS BILL EVANS

Opinião

Em 1961, a apresentação do Bill Evans Trio é interrompida bruscamente na tela pelas imagens do trágico acidente que mata Scott LaFaro, parceiro de Evans no jazz. O momento imediatamente depois, em que o pianista é tomado pelo luto, será o momento presente no filme. Poderia ser uma cinebiografia clássica, mas tem uma sofisticação na fotografia, na montagem e na escolha do tom que escapa dessa expectativa. Um tom que poderia estacionar na perda, mas viaja pelas conquistas diante das dificuldades que o artista vai encontrar.

Acolhido pelo irmão e cunhada, assim como por seus pais, Evans, interpretado pelo sempre ótimo ator norueguês Anders Danielsen Lie (também em A Pior Pessoa do Mundo), passa pelo momento do luto, da dependência química da heroína, por sérias questões de saúde mental sem que o diretor Grand Gee tenha que pesar na mão do drama. A rotina familiar, as tarefas diárias são pano de fundo de um processo de reconexão com ele mesmo e com a música, que fica sempre na espera da volta. Mais do que mostrar Evans tocando, enfoca o artista no seu momento de pausa.

Na nobre função de pais de um filho enlutado estão os atores Bill Pullman e Laurie Metcalf, que seguem a cartilha do firme afeto esperando que o filho recupere sua capacidade de criar e viver. A carreira brilhante de Evans fica por conta dos créditos que aparecem no final do filme e que dão a dimensão da sua influência enquanto pianista de jazz. O que EVERYBODY DIGS BILL EVANS traz é o retrato do homem que empresta o talento ao artista, por isso é mais do que uma cinebiografia.

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