MOSCAS – FLIES

Cartaz do filme MOSCAS – FLIES
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Opinião

O mexicano MOSCAS é filme de três personagens, que vão se revezando quase como uma dança. No centro, está o garoto Cristián, que ora faz par com seu pai, ora com Olga, a dona do quarto que eles alugam, em frente ao hospital onde sua mãe está internada. A dança é embalada por um elemento onipresente na história, que não só costura as trajetórias, mas também serve de analogia para explica ao menino o que é o câncer: o jogo de videogame Cosmic Defenders Pro, o preferido do garoto.

Olga mora sozinha em um apartamento simples, passa o dia jogando Sudoko e não é de muitos amigos. Sempre de cara amarrada, é assim que recebe os novos hóspedes quando, passando por dificuldades financeiras, resolve colocar um quarto pra alugar. Sem que seja preciso dizer que ela não permitiria crianças, o diretor Fernando Eimbcke constrói esse entendimento com o espectador através de sutis gestos, o que dá ao filme uma fina camada de cuidados, dizendo o essencial e mostrando aquilo com que automaticamente criamos empatia.

Sem dar importância à escassez, presente no pai, que está ficando sem dinheiro, em Olga, que vive na solidão, o diretor foca na abundância. Ternura e criatividade permeiam um filme que lida, essencialmente, com a falta. Pai e filho partilham seu dia entre brincadeiras e demonstrações de afeto e diversão, apesar da tensão evidente do momento. E o videogame está sempre presente, inclusive para explicar que é preciso eliminar as células inimigas, assim como no jogo é preciso vencer o invasor. Olga entra pra suprir uma ausência, que vai preencher também seu vazio com a compaixão que não encontrava lugar no seu rosto amargurado.

MOSCAS tem uma ternura que muitas vezes desconstrói a lógica da invisibilidade humana. Há quem enxergue o mais vulnerável e isso nos dá esperança de dias melhores.

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