MOULIN

Cartaz do filme MOULIN

Opinião

Jean Moulin foi líder da Resistência Francesa durante a ocupação nazista na Segunda Guerra. Como não concordou em colaborar com as forças de Hitler, passa a atuar clandestinamente em Londres, onde conhece Charles De Gaulle e recebe a missão de reunificar os grupos fragmentados da resistência. Mas o cerco aperta, MOULIN é preso pela Gestapo em Lyon e interrogado por Klaus Barbie, conhecido como o “carniceiro de Lyon”. O resto é história e o diretor húngaro László Nemes não economiza no visual: sugere o que somos capazes de imaginar — como, por exemplo, a relação entre Moulin e seu companheiro de cela — , mas faz questão de compor as cenas com jogo de sombra e luz, violência física e psicológica pra gente não esquecer do que o ser humano é capaz. 

Assim como fez Filho de Saul,  que ganhou Oscar de filme internacional. Moulin é sólido e sóbrio e com isso consegue construir a reflexão em torno da pergunta  o que é o alicerce do filme: qual a diferença entre ser herói e mártir? Diante do torturante sarcasmo de Barbie e das violências físicas, manter-se firme e fiel à sua missão até o final é, para Moulin, na pele de Gilles Lellouche, é uma questão de honra. É sobre tornar-se mártir — e a incrível cena da Marseillaise não me deixa mentir.

Moulin dialoga com NOTRE SALUT (A Man of his Time), de Emmanuel Marre, que vai, através da adaptação livre da correspondência entre os bisavós do diretor, contar a história do ponto de vista dos colaboradores. Na Regime de Vichy, franceses que colaboraram com o governo do Marechal Pétain são o centro da história, inclusive como peças fundamentais para efetivar o esquema de deportação de judeus para campos de concentração.

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