QUO VADIS, AIDA?
Opinião
Indicado ao Oscar de filme estrangeiro, o título em latim pergunta aonde vai Aida, a protagonista, que claramente está numa situação sem saída.
Aida é tradutora da ONU durante a Guerra da Bósnia, mais especificamente em Srebrenica, cidade invadida pelos sérvios. Estamos no final da guerra, em 1995, quando há um massacre e a população civil, desesperada, tenta se proteger num abrigo das Nações Unidas. É aqui que Aida atua, tentando fazer com que haja comunicação entre os implacáveis militares sérvios e os representantes da ONU. Tarefa inglória, claro, porque não há intenção de acordo. Aida tenta não só salvar sua pele, mas proteger a população abrigada naquele local provisório — que está longe de ser suficiente e seguro — e proteger sua família, que também está ali.
Lembrando que a guerra acontece no momento pós-queda do Muro de Berlim (1989), quando a União Soviética é dissolvida e os movimentos nacionalistas ganham força. A antiga Iugoslávia ficou sem comando, as repúblicas buscaram independência, mas os sérvios alimentaram o sonho de construir a grande Sérvia. A guerra civil foi inevitável, com um saldo de 200 mil mortos. QUO VADIS, AIDA?, indicado ao Oscar, tem esse título que dá a dimensão do desespero de Aida, que não tem pra onde correr diante da situação desesperadora. Um filme marcante, com um mulher tentando comunicar o incomunicável no universo bélico masculino, em que o poder é a moeda de troca. Um olhar possível porque é dirigido por uma mulher. Jasmila Zbanic constrói Aida na sua representação feminina e maternal — diante dos filhos biológicos e daqueles que representam sua pátria ameaçada

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