1o FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO

Cartaz do filme 1o FESTIVAL DE CINEMA ARGENTINO
Estado de espírito:

Opinião

Parece que também não é fácil fazer cinema na Argentina. Os cineastas brasileiros bem sabem o que é isso. Mesmo sendo uma batalha para conseguir montar projeto, encontrar produtora, convencer patrocinadores, os diretores argentinos continuam saindo vencedores – e por tabela o cinema latino americano. Sinto que não atinja o grande público – deveria, são filmes sensíveis, engraçados, humanos. Mas não é cinema blockbuster, de grande público. Pelo contrário, é cinema autoral. Daquele que os argentinos sabem fazer muito bem. Histórias de vida, de relações, de observação. Com esse intuito, e com apoio do INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales) e da rede Cinemark, de 01 a 06 de junho São Paulo recebe o 1o. Festival de Cinema Argentino, com 5 filmes, conforme programação abaixo.

Dos cinco, assisti a dois. Um deles, As Acácias, venceu a Camera D’Or em Cannes em 2011 e foi selecionado para a 35a. Mostra Internacional de Cinema. É filme pessoal, o primeiro longa do diretor Pablo Giorgelli. Foi exibido em outras categorias do prestigiado festival francês, mas eu disse a ele, durante entrevista coletiva organizada por causa deste festival, que poderia muito bem ter entrado (e ter ganho) a categoria que mais gosto em Cannes: Um Certo Olhar. Sim, porque As Acácias tem um olhar diferente. Conta a história do encontro forçado entre um caminhoneiro que está habituado a ser solitário nas estradas da América do Sul, e Jacinta, que precisa pegar uma carona com sua filha nesta boleia e vai aos poucos encontrando seu lugar na solidão de Rubén. “As palavras não fazem falta”, eu disse ao diretor. E isso é o mais bonito do filme. “Realmente trabalhei o roteiro e os atores para dizerem somente o necessário. Não é preciso explicar demais, reforçar nada, enfatizar as cenas; nem música eu usei”, conclui. Era para ser natural – e realmente é. Expressivo, simples e carregado de significado sobre as relações humanas.

O outro é politizado, mas não menos humano. Verdades Verdadeiras, a Vida de Estela (logo mais no blog) também é o primeiro longa do jovem diretor Nicolás Gil Lavedra, que disse ter demorado 8 anos para conseguir fazer o filme. Lindamente, a atriz Susú Pecoraro interpreta Estela, uma das fundadoras da associação de direitos humanos Avós da Praça de Maio, criada durante a ditadura militar para procurar netos desaparecidos, daquelas mães que deram a luz sob os olhos e armas da repressão. Da relação com a ativista Estela, que hoje preside a associação, a atriz Susú Pecoraro ressaltou a sua generosidade e alegria, apesar da dor de sua história. Sem ser vítima, ou digna de pena. De fato, foi o que senti durante o filme – um personagem doce, porém forte e determinada. Capaz de emocionar genuinamente.

Depois de São Paulo, o Festival de Cinema Argentino segue para o Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre. Não perca, acompanhe a programação. São filmes que saem do lugar comum, trazem à tona questões importantes e outras triviais, mas sempre sobre as vidas, que se repetem, de uma forma ou de outra. Como disse o diretor Nicolás Gil Lavedra, de Verdades Verdadeiras, somos países irmãos, com histórias semelhantes. O bom é compartilhar esse cinema.

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PROGRAME-SE!

Todos os filmes serão exibidos no Shopping Cidade Jardim.

1/06 – sexta
19h00 – Las Acácias
21h00 – El Dedo

02/06 – sábado
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Verdades Verdadeiras

03/06 – domingo
19h00 – Juntos Para Sempre
21h00 – Las Acácias

04/06 – segunda
19h00 – El Dedo
21h00 – Verdades Verdadeiras

05/06 -terça
19h00 – Los Marzianos
21h00 – Juntos Para Sempre

06/06 – quarta 
19h00 – Verdades Verdadeiras
21h00 – Los Marzianos

 

 

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