AOS 13 EM GAZA – 13 GAZA

Cartaz do filme AOS 13 EM GAZA – 13 GAZA

Opinião

Por definição, filmes que trazem ritos de passagem, o que chamamos de “coming of age” tem sua dose de desafios aumentada. Não são fáceis as passagens de fase da vida — quem dirá em um ambiente regado à morte e hostilidades. AOS 13 EM GAZA apresenta Raghad, uma garota que entra na puberdade justamente no momento em que sua casa é bombardeada. A mãe e as irmãs morrem, sobrem ela e o pai, Abu. O deslocamento para um campo de refugiados é inevitável diante da casa destruída.

Filmado inteiramente em Gaza, o que acompanhamos é a escassez completa de perspectivas, inclusive de ordem prática. Raghad enfrenta o que chamamos de “pobreza menstrual”: falta absorventes, higiene, saneamento, informação. Em se tratando de Gaza, o pano de fundo é devastador e serve como recurso para pensarmos em outros pontos de conflito e na situação de meninas e mulheres que atravessam esta situação de violência. A intimidade é invadida pela guerra, inclusive com um trabalho de som que transforma os ataques a drones e bombardeios em algo presente até nas cenas mais íntimas.

No entanto, o diretor Hosam Abu Dan peca ao ampliar o drama para o aliciamento de homens mais velhos e para casamentos arranjados, única alternativa encontrada por Abu para salvar a filha da miséria. O efeito é contrário: tira o foco do momento de modificação do corpo feminino, da ausência da mãe e de tudo que envolve esse rito de passagem para a adolescência. Rito universal, inclusive nessa pobreza menstrual. Melhor teria sido passar sem arranjos masculinos nesta história.

 

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