O APEGO – L’ATTACHEMENT
Opinião
Naturalmente delicado, O APEGO trata o espectador com o respeito que ele merece quando toca no tema do luto, do relacionamento que nasce da conveniência, das convenções que recaem sobre homens e mulheres e que são quebradas a cada momento.
Digo respeito porque é fácil banalizar, mas a naturalidade com que Carine Tardieu aborda temas tão comuns e repetitivos é tocante. Fica fácil também entrar pela porta da Sandra, uma livreira solteira e independente que mora no apartamento em frente ao do casal Cécile e Alex. Prestes a ter o segundo filho, pedem pra que Sandra ajude com o adorável Elliott enquanto vão pra maternidade.
As portas vão se abrindo à medida que o apego vai dando as caras. Carine Tardieu foca nos detalhes, aproxima a câmera como se nos dissesse pra olhar bem de perto, porque o afeto acontece nas pequenas coisas. De forma natural. Mescla a realidade de Sandra, uma mulher que, como ela mesma diz, nunca deixou ninguém entrar no seu quarto — querendo nos dizer intimidade. O que Carine faz é derrubar, tijolo a tijolo, esse muro que impediu aproximações durante a vida. Mas sem deixar Sandra uma personagem longe da sua essência. Continua a mesma, mas é como se entendesse que é possível anexar mais camadas ao seu escopo de mulher-independente-feminista e perceber que o novo não anula quem ela escolheu ser.

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