Por que venho à CINE OP?

Antes de vir pra Mostra de Cinema de Ouro Preto, mais conhecida como CINE OP (MG), uma pessoa me perguntou por que eu vinha para um festival como este se poucos filmes que passam aqui chegam aos cinemas. Respondo, mas no final. Antes é preciso entender o que Ouro Preto tem a ver com essa curadoria, com o enfoque na preservação do audiovisual  e na educação, e com a tamanha movimentação pra construir uma mostra com 139 filmes no total.  Aqui tem mostra competitiva e contemporânea, sessões infantis e cine-escola, masterclasses, encontros, debates, atividades de formação. Nada é desconectado e, pensando assim, responder fica fácil. 

Comecemos pela locação. Andar por Ouro Preto é um ato auto-explicativo: é como andar em um museu vivo. Sim, memórias vivem, desde que passemos por elas;  memórias despertam, desde que nos conectemos com seu registro; memórias existem, desde que cuidemos delas. Assim é o cinema também: recuperar, preservar e divulgar para que seja consumido por gerações mostra quem somos, o que nos tornamos e aponta possibilidades de caminhos futuros. É o que chamamos aqui de “cinema patrimônio”.

Combina com Ouro Preto. Caminhar por aqui é como percorrer a história do Brasil, seu passado social, econômico, cultural. Um museu ao ar livre. Um patrimônio arquitetônico, assim como cinema é patrimônio cultural. Independente da época. Rever XICA DA SILVA, de Cacá Diegues, de 1976, por exemplo, foi um presente. Selecionado na Mostra Preservação, a obra restaurada em 4k é um mergulho num filme que tem, ao mesmo tempo, história e deboche, poesia e folclore, economia e diversão, sensualidade e sociedade. Numa das suas mais emblemáticas atuações, Zezé Motta protagoniza a mulher escravizada que usufrui dos privilégios e excessos da corte portuguesa, ao mesmo tempo que mantém a sua brasilidade e faz da sua condição feminina a moeda que subverte a lógica do poder na mão dos brancos portugueses. Um marco que ganha força desde que disponível para ser (re)visto. Uma oportunidade de pensar como o filme retratava o Brasil naqueles anos 1970.

Diferente, mas não menos importante, do que mergulhar no presente para entender uma trajetória, por exemplo, que é impar e, com distanciamento histórico, torna-se ainda mais única. Na Mostra Competitiva, APOCALIPSE SEGUNDO BABY, de Rafael Saar, é um mergulho psicodélico na vida e carreira de Baby do Brasil, que já foi Consuelo e nasceu Bernadete. Saar consegue olhar para a vida desta icônica cantora e construir um documentário que acompanha o ritmo, os depoimentos, as músicas, os shows e a figura única que é Baby, com toda a sua personalidade e presença. Inclusive fugindo das polêmicas e controvérsias. Um recorte que traz informações abafadas pela personalidade extravagante de Baby, o que faz o filme interessante e original. Vale dizer que uma obra careta não teria diálogo com sua protagonista. O filme é a cara dela.

Na Mostra Contemporânea, ANISTIA 79, de Anita Leandro, viaja pelos festivais. Assisti na Mostra Tiradentes e é justo que mais pessoas possam apreciar uma obra que mistura tempos históricos no movimento fundamental de se afastar para enxergar, analisar e compreender. Sem imagens de arquivos ele não existiria. Voilà a importância da preservação das obras audiovisuais. O documentário nos leva pra Roma naquele ano de 1979, em que brasileiros filmam a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil. Participantes daquele momento assistem hoje a esta gravação. Somos, enquanto espectadores, também convidados a olhar para o passado através da história do outro pra descobrir onde nos encaixamos nesta percepção do que foi e é o Brasil.

Aliás, sobrepor passado e presente pra criar a sensação genuína de que estão não só entrelaçados, mas ainda existentes um no outro, é o que sentimos em OS IRMÃOS SEGRETO, de Federico Ferrone e Michele Manzolini. Com imagens alternadas do Rio de Janeiro atual e do Rio do começo do século XX, mostra o tempo em que os irmãos Pasquale, Gaetano e Alfonso migraram para o Brasil com uma mão na frente, outra atrás, assim como todos que vieram na migração italiana no final do século XIX. Trouxeram na mala um cinematógrafo e entre lendas e fatos, são conhecidos por serem os precursores do cinema no Brasil. É quase uma fábula que sobrepõe imagens, mesmo quando elas estão no nosso inconsciente coletivo pra explicar o que é o Brasil de hoje. Xica da Silva provoca esse exercício também — e como! — assim como Anistia 79 nos faz pensar que seguimos patinando, em parte, no mesmo lugar.

A Mostra Cine OP também tem oferta online pelo site (acesse aqui). Ainda tem filmes pra ver. Sempre tem. Nesta minha primeira cobertura da Mostra de Ouro Preto, fica a certeza de que repertório é fundamental. O de hoje e de ontem. Profissionais se dedicam ao trabalho imenso de construir pontes entre as obras e os espectadores para a manutenção do patrimônio cultural contido nos filmes. Patrimônio que precisa extravasar, derrubar barreiras e chegar nas pessoas. Por essas e outras, a importância dos festivais e mostras de cinema é inquestionável. Venho, assim como meus colegas jornalistas, pra contar que filmes são esses; para comunicar a sua importância na construção da nossa memória enquanto brasileiros, pra valorizar a produção cultural do nosso país que diz quem somos, nas suas diversas possibilidades de olhares e opiniões. É pra isso que venho para fazer a cobertura e, já digo, quero voltar.

 

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Por que voltarei?

“Porque um país não existe apenas em seus arquivos. Existe nas histórias que escolhe contar, nos patrimônios que decide proteger, nas memórias que mantém vivas e nas imagens que reconhece como parte de si.
Um país existe nas imagens que preserva.”

Raquel Hallak – diretora da Cine OP

Compartilho aqui meu sentimento de que esse pensamento acima esteve presente em cada uma das iniciativas da Cine OP — e não foram poucas nos 6 dias de festival. É um bom apanhado do que vimos e sentimos por aqui.

A começar pelo encerramento de ontem à noite, com a premiação da Mostra Competitiva — uma seleção que ressalta a importância das imagens e sons de arquivo na construção de documentários e filmes ensaio. Concorreram 5 filmes e Irritante Prodígio, de Luiza Lindner, levou o Troféu Vila Rica, única premiação da Cine OP. Um filme muito intimista, com imagens nuas e cruas do seu sofrimento, ainda bem pequena, durante internações psiquiátricas e hospitalares.

A temática histórica esteve presente nos relatos de cineastas como Helena Solberg, Tata Amaral, Lucia Murat. Contaram como foi a experiência do primeiro filme, num país onde o olhar feminino ainda precisa ter muito mais espaço.

Na temática preservação, filmes restaurados foram exibidos, projetos foram apresentados e conhecimento foi compartilhado para que esta seja uma atividade permanente e cada vez mais difundida pra termos acervos disponíveis e relevantes para consulta, pesquisa e construção de memória.

Na educação, além do envolvimento da comunidade local e da apresentação de filmes, o fórum de debates trouxe pra pauta a importância do audiovisual como instrumento de educação e formação de cidadania. Sem falar das sessões para crianças, fundamental para formar novas gerações de espectadores e profissionais do audiovisual.

Cine OP entregou o que propôs e deixou a semente pra 2027! Até a próxima!

 

3º FESTIVAL CURTA! DOCUMENTÁRIOS JÁ ESTÁ NO AR!

Já está no ar a 3ª edição do Festival Curta! Documentários pra você garimpar à vontade. E é à vontade mesmo: o festival, apresentado pela Claro, é gratuito e online. Portanto, você acessa de qualquer lugar do Brasil, sem pagar nada. Um deleite pra quem já curte o gênero e uma oportunidade imperdível pra quem ainda não sabe bem onde buscar documentários. 

Então, fica a dica: de 2 de junho a 2 de julho, você acessa mais de 150 obras brasileiras, cuidadosamente selecionadas pela curadoria do festival. É só entrar no site festivalcurtadocs.org.br , garimpar e depois votar no seu favorito. A participação do espectador no júri popular é uma maneira de aproximar ainda mais as obras dos cinéfilos e valorizar essa conexão que só o cinema proporciona. Também haverá um júri técnico composto por jornalistas, escritores e personalidades como a atriz Marieta Severo, o psicanalista Christian Dunker e a filósofa Sueli Carneiro. As produções vencedoras escolhidas pelos dois júris serão contempladas com prêmios que somam até R$ 170 mil. Assim, o Festival Curta! Documentários reforça seu papel como um espaço essencial de fortalecimento do audiovisual brasileiro.

Pra ficar ainda mais fácil, as obras estão agrupadas em duas mostras. A mostra Produção Canal Curta! reúne 24 títulos de filmes e séries com histórias relevantes sobre o mundo contemporâneo, além de biografias de personalidades históricas como Freud (Para Ver Freud) e Santos Dumont (Santos Dumont, o Céu na Cabeça); de nomes do ativismo e da política, como Brizola (Leonel Brizola) e Davi Kopenawa (Watoriki); da literatura, como Zélia Gattai (Zélia – Memórias e Saudades ) e Augusto de Campos (Artéria: Poesia em Revista); e de mulheres inspiradoras como Dandara dos Palmares (Libertárias: Mulheres Inspiradoras na História do Brasil) e Heloisa Teixeira (O Nascimento de H. Teixeira). 

Já na mostra Outras Janelas, as séries e filmes estão divididas em duas categorias: Artes e Humanidades. As temáticas são aquelas que dialogam intimamente conosco como a Amazônia (Amazônia – Arqueologia da Floresta), a luta por direitos feministas (Lobby do Batom), o patrimônio histórico e a arquitetura nacional (O Bixiga é Nosso!) e manifestações culturais como teatro de rua (Teatro de rua (r)existe). Um conteúdo de primeira linha que instiga nossa curiosidade, traz conhecimento e reflexões.

Além da programação completa online já disponível no site, haverá eventos presenciais como as “Salas de Montagem”, masterclasses e painéis sobre o mercado audiovisual, que serão divulgados em breve. Enquanto isso, uma maratona de documentários brasileiros, com o que há de mais relevante na produção atual, te espera! Bom garimpo!

O Cine Garimpo apoia o Festival Curta! Documentários, sempre acreditando no potencial do audiovisual de formar público consumidor de cultura, conectar pessoas e transformar a sociedade.

 

 

3º FESTIVAL CURTA! DOCUMENTÁRIOS divulga Mostra Produção Canal Curta!

3º Festival Claro Curta! Docs tem Brizola, Freud, Helô Teixeira e Arnaldo Antunes

Mostra especial reúne 92 obras exibidas no Canal Curta!. No 3º Festival 150 documentários concorrem a até R$ 170 mil em prêmios atribuídos pelo público online e pelo júri de especialistas

Diretores consagrados, como Lírio Ferreira e Helena Solberg, e estreantes talentosos, como Marcelo Janot, estão por trás dos 24 títulos de filmes e séries em episódios — somando um total de 92 conteúdos — selecionados para a mostra Produção Canal Curta! do 3º Festival Claro Curta! Documentários, apresentado pela Claro. Viabilizadas pelo Curta! por meio do Fundo Setorial do Audiovisual, essas produções estrearam no canal entre junho de 2024 e maio de 2025, e se destacam pela relevância de seus assuntos e personagens: do político Leonel Brizola ao psicanalista Sigmund Freud, da escritora Heloisa Teixeira ao cantor e poeta Arnaldo Antunes, do xamã Davi Kopenawa à atriz Clarice Niskier, do inventor Santos Dumont ao inventivo músico Hermeto Pascoal, entre outros.

Em sua terceira edição, o Festival Claro Curta! Documentários celebra o melhor da produção audiovisual brasileira exibindo gratuitamente, entre 2 de junho e 2 de julho, mais de 150 obras divididas em duas mostras. O patrocínio é da Claro através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. 

Além dos 92 conteúdos da mostra Produção Canal Curta!, o público pode conferir mais de 60 produções da mostra Outras Janelas, composta por filmes e séries documentais brasileiros produzidos a partir de 2022, com CPB emitido, com ou sem exibição prévia em televisão/VOD. Ela é dividida em duas categorias: artes e humanidades. Nesta edição, o festival também planeja eventos presenciais que incluem as esperadas “Salas de Montagem” — sessões de obras em finalização —, uma masterclass e painéis sobre o mercado audiovisual.

As produções participantes do festival concorrem a prêmios que somam mais de R$ 170 mil, distribuídos por um júri popular e um técnico. Na votação do público, serão eleitos os melhores conteúdos de “artes” e de “humanidades”, que ganharão R$ 10 mil, cada. Haverá também o Prêmio Aquisição Canal Curta!, ao qual serão destinados R$ 30 mil para que a obra vencedora seja exibida no canal promotor do festival, com direitos disponíveis. Por sua vez, o júri especializado, composto por jornalistas, escritores e personalidades da cultura, escolherá dois conteúdos — um de arte e outro de humanidades — da mostra Produção Canal Curta! para receberem R$ 20 mil, a partir de finalistas também indicados pelo Júri Popular, além de destacar uma obra com relevância para o mercado educacional. Parceiros do festival, a LuzRio e Quanta também irão oferecer prêmios aos vencedores.

Confira abaixo a lista dos filmes e séries selecionados para a mostra Produção Canal Curta!:

Artéria: Poesia em Revista

Direção: Bruna Callegari

 

Arte da Diplomacia

Direção: Zeca Brito

 

Brasil Visual – 2ª temporada (13 episódios)

Direção: Rosa Melo

 

Caixa Postal (sete episódios)

Direção: Letícia Simões e Hilton Lacerda

 

Cinéticas (dez episódios)

Direção: Caroline Margoni

 

Clarice Niskier: Teatro dos Pés à Cabeça

Direção: Renata Paschoal

 

Dois Sertões

Direção: Vagner Bozzetto

 

Instantes Cruzados – 2ª temporada (oito episódios)

Direção: Sérgio Bloch

 

Leonel Brizola

Direção: Marco Abujamra

 

Libertárias: Mulheres Inspiradoras na História do Brasil (oito episódios)

Direção: Rodrigo Grota

 

Na Trilha do Cinema (nove episódios)

Direção: Hewelin Fernandes

 

Na Trilha do Som (oito episódios)

Direção: Marcelo Janot

 

O Menino D’Olho D’Água

Direção: Lirio Ferreira e Carolina Sá

 

O Nascimento de H. Teixeira

Direção: Roberta Canuto

 

O Outro Lado da Moeda

Direção: Rogério Pixote e Lívia Maria Cappelari

 

Para Ver Freud (cinco episódios)

Direção: Lyana Peck

 

Potências da Imagem (cinco episódios)

Direção: Eduardo Goldestein e Evângelo Gasos

 

Santos Dumont, o Céu na Cabeça

Direção: Éder Santos e Monica Cerqueira

 

Uakti

Direção: Eder Santos

 

Um Filme Para Beatrice

Direção: Helena Solberg

 

Watoriki

Direção: Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha

 

Zélia – Memórias e Saudades (seis episódios)

Direção: Carla Laudari

 

PITACOS SOBRE A 74ª BERLINALE

Já se foram 15 filmes da competição e já tem um balanço interessante pra se fazer. Há diversas maneiras de agrupar os filmes: por temas, continentes, idiomas. Diante do que vi por aqui, vamos com este última opção — que é algo que também chama a atenção.

Filmes em francês foram 4: 2 deles, dispensáveis — ou no mínimo inadequados para uma seleção de competição da Berlinale. HORS DU TEMPS, algo como “tempo suspenso”, de Olivier Assayas, revista pandemia e parece deslocado do tempo e do contexto, diante de nada-de-novo-no-reino-da-França. L’EMPIRE, de Bruno Drumont, piora ainda mais e chega a ser ridículo — e me sinto ridícula dizendo isso de um filme da Berlinale. Mas é o que temos pra hoje. Mas, calma: franceses salvos pelo importante documentário DAHOMEY, de Mati Diop e pelo delicado e profundo LANGUE ÉTRANGÈRE, de Claire Burger. Diretoras salvam a alma francesa na Alemanha.

E por falar nisso, em alemão foram 4, sendo 1 da Áustria, o THE DEVIL’S BATH, de Veronica Franz e Severin Fiala. Aliás, junto com FROM HILDE, WITH LOVE, de Andreas Dresen trazem personagens femininas mto, mto potentes. DYING, de Matthias Glasner, tem 3 horas e vale cada minuto desta história sobre família e luto. E morte também está em ARCHITECTON, de Victor Kossakovsky, mas agora no campo da arquitetura com imagens belíssimas num doc sobre o a arquitetura sem vida que construimos neste mundo de concreto.

Em inglês vieram A DIFFERENT MAN, dos EUA, e ANOTHER END, que é da Itália mas não fala italiano. Falam de mundo utópicos (ou distópicos), dependendo do ponto de vista do que a ciência é capaz. A Irlanda trouxe SMALL THINGS LIKE THIS, sobre os excessos das religiões, dialogando com o austríaco e deixando em mim um mal-estar ainda maior com os dogmas e prisões invisíveis em que nos metemos. Quem salva a alma, pasmem, é o Irã, com  MY FAVORITE CAKE, sua história de amor em farsi, porque em espanhol, é só caos: LA COCINA é interessante na sua indigestão e PEPE é tão estranho quanto um hipopótamo na sala colombiana.

Ainda faltam Mauritânia, Tunísia, Itália, Nepal e Suécia. Uma verdadeira torre de babel na telona. (Berlim, 20/02/24)

76º FESTIVAL DE CINEMA DE VENEZA

De 28 de agosto a 7 de setembro, Veneza é só cinema. Filmes exibidos no festival depois rodam o mundo, mas quem está por aqui como eu tem o privilégio de assistir em primeira mão. A delícia do cinema de hoje – e que está estampado no film de abertura – é que vivemos, sim, numa aldeia global. Já não tem fronteira pra nada, o que coloca todas as nossas questões, independente de raça, cor, credo, numa só prateleira. Somos todos diferentemente iguais. Aqui ou na China.

Ou no Japão – quem abre o festival esta noite é La Vérité, do cineasta japonês Hirokazu Koreeda. Ele que levou a Palma de Ouro em Cannes em 2018 com Assunto de Família, continua no tema. Família, que também é tema de  Depois da Tempestade, Nossa Irmã Mais Nova, Pais e Filhos, O Que Eu Mais Desejo. Mas sai da cultura japonesa pra mergulhar na europeia – e mais especificamente, na francesa. Escala as ícones francesas Catherine Deneuve e Juliette Binoche pra falar da relação mãe e filha e pra falar de cinema. Deneuve é atriz, Binoche é roteirista, casada com um ator de segunda linha, feito por Ethan Hawke. Elenco afinado, estrelado, de ponta, na intimidade familiar que tanto tem em comum no mundo todo. Basicamente sobre relações humanas, suas particularidades e, como diz o título, suas verdades. Que, invariavelmente, dependem do que escolhemos contar sobre nós mesmos.

La Vérité concorre ao prêmio máximo, o Leão de Ouro, mas não leva. É elegante, delicado, profundo. Mas não é original. Festival é assim – vai esquentando os motores devagar, às vezes somos acachapados por uma pérola – como foi ano passado com Roma, de Alfonso Cuarón – e já sabemos quem vencerá.

La Vérité, de Hirokazu Korreda

Ad Astra, de James Gray

Marriage Story, de Noah Baumbach

CAIXA DE PANDORA

Com perfil que combina perfeitamente com o Cine Garimpo, os filmes do novo projeto Caixa de Pandora vão se espalhar pela cidade. Numa parceria com a rede Cinépolis, os filmes da Pandora, que garimpa produções independentes mundo afora e exibe verdadeiras pérolas vindas direto de importantes festivais como Cannes, Sundance, Veneza, Berlim e Toronto, vão chegar não só em outras regiões de São Paulo, mas em outras cidades do Brasil.

Confira os filmes de abril e maio, já selecionados, e acompanhe a programação no site do Cinépolis.

 

04 de abril | Quando Margot Encontra Margot, de Sophie Fillières

18/04 | O Mau Exemplo de Cameron Post, de Desiree Akhavan

02/05 | A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral

16/05 | Compra-me um Revólver, de Julio Henrnández Cordón

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42ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SP

Outubro chega com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na sua 42ª edição. Antenada com o que está rolando de mais bacana no cenário internacional, a Mostra oferece de 18 a 31 de outubro, filmes exibidos nos principais festivais de cinema de mundo, inclusive Veneza, há dois meses.

Já tem lista aqui no Cine Garimpo com filmes assistidos e comentados. E a lista cresce todo dia. Acompanhe por lá pra ajudar a escolher o que assistir.

Algumas dicas pra enfrentar a maratona:

  1. Primeira providência: baixe o aplicativo da Mostra (procura como Mostra Internacional); ali você acompanha a programação diária, faz reservas de ingressos com credencial, monta a sua agenda. Ferramenta maravilhosa – está funcionando direitinho! Ou acompanhe pelo site, claro.
  2. Já vimos vários filmes e tem uma lista aqui no blog com trailer e comentário. Assim, fica mais fácil escolher o que vale seu ingresso.
  3. Há 19 filmes na Mostra que são os indicados ao Oscar de filme estrangeiro em 2019 por diversos países. Também tem uma lista com eles aqui no blog – os já assistidos vêm em primeiro.
  4. Uma nova iniciativa promove encontros e debates para fomentar negócios criativos e discutir a linguagem, a economia do cinema e as políticas culturais: é o Mercado de Ideias Audiovisuais (no Itaú Cultural); ótima oportunidade para quem quer pensar e dividir opiniões com gente da área;
  5. Muita calma. Parece um mar de filmes – e é mesmo. Mas vários deles já têm distribuidora aqui no Brasil, o que garante a sua exibição no circuito comercial em breve. Portanto, como não vai dar pra ver tudo mesmo, tenha paciência e bom garimpo!

7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo

Mais um festival de cinema em São Paulo, que é sempre palco de filmes de todos os cantos do mundo. Com filmes vindos da Suíça, o 7º Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo conta com curtas e longas, que serão exibidos no Cinesescde 09 a 16 de maioe no CCBB SP, de 09 a 21 de maio. Além disso, haverá mais  duas itinerâncias na programação: uma no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (CCBB DF), de 22 de maio a 10 de junho e outra no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), de 30 de maio a 16 de junho.

Seguem abaixo os longas:

A FÚRIA DE VER
Documentário | Suíça | 2017 | 84 min. | 16 anos
Título Original: La Fureur de Voir
Direção: Manuel von Stürler
Sinopse: Diante da ameaça de ficar cego, o diretor Manuel von Stürler
se lançou em uma busca para descobrir o que a percepção visual
significa. Sua ânsia por enxergar alimenta uma jornada que nos
mergulha no mundo da visão e tenta responder à pergunta: o que
significa ver?

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AMARRADOS
Documentário | Suíça | 2017 | 106 min. | 10 anos
Título Original: Encordés
Direção: Frédéric Favre
Sinopse: Por um ano e meio, o cineasta Frédéric Favre acompanha três
alpinistas de esqui enquanto eles se preparam para a Patrulha dos
Glaciares, uma corrida incrivelmente difícil pelos Alpes suíços. Florence
quer participar em memória do pai, mas ela não está acostumada a
trabalhar em equipe. Guillaume é um competidor talentoso que luta para
encontrar um equilíbrio entre a família, o trabalho e a paixão pelas
montanhas. Antoine acabou de sair da reabilitação e está ansioso para
provar o seu valor ao mundo. Uma jornada crua e íntima pelas
motivações mais profundas dos protagonistas e a história de como essa
aventura os transforma.

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ANIMAIS
Ficção | Suíça – Áustria – Polônia | 2017 | 95 min. | 14 anos
Título Original: Tiere
Direção: Greg Zglinski
Sinopse: Um acidente com uma ovelha em uma estrada do interior
inicia uma série de experiências estranhas e perturbadoras para Anna
e Nick, deixando-os incertos de onde estão exatamente: no mundo
real, em suas próprias imaginações ou nos devaneios de outra pessoa.

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BE’ JAM BE ESSE CANTO NUNCA TERÁ FIM
Documentário | França – Suíça | 2017 | 85 min. | 10 anos
Título Original: BE’ JAM BE et Cela n’Aura pas de Fin
Direção: Caroline Parietti, Cyprien Ponson
Sinopse: Em Sarawak, na ilha de Bornéu (mais precisamente na parte
que pertence à Malásia), o povo Penan enfrenta as mudanças
causadas pela crescente ameaça de desmatamento. A obra, carregada
pela música daqueles que se recusam a ceder, desenha as linhas da
resistência de cada que participa dessa luta mortal.

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BEM-VINDO À SUÍÇA
Documentário | Suíça | 2017 | 83 min.| 12 anos
Título Original: Willkommen in der Schweiz
Direção: Sabine Gisiger
Sinopse: No verão de 2015, um milhão de pessoas procuram por asilo
na Europa e 40 mil delas conseguem chegar à Suíça. O prefeito da
cidade mais rica da região da Argóvia pretende dar o exemplo e recusa
a entrada de qualquer refugiado em seu município. Johanna Gündel,
estudante e filha de um agricultor local, passa a lutar contra essa política
ao lado de outros moradores. Tomando como ponto de partida os
eventos em Oberwil-Lieli, o filme conta a história da Suíça nos tempos
da crise de refugiados, mostrando o que o país era, quer ser ou poderia
se tornar.

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COPIAR COLAR DELETAR
Ficção | Suíça | 2018 | 82 min.
Título Original: Copy Paste Delete
Direção: Christoph Rahm
Sinopse: Um homem está fazendo um inventário. Um homem está
procurando por uma foto. Procurando pela última foto de sua vida.
Fugindo de uma enxurrada de imagens, ele recorda decepções do
passado e mudanças perturbadoras. Em cinco fases de sua vida, seus
pensamentos e memórias se misturam em uma narrativa fragmentada.
Prazer, raiva, saudade, medo e tristeza são os tópicos das cinco etapas
da vida: infância, juventude, adolescência, vida adulta e a morte
iminente.

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DEPOIS DA GUERRA
Ficção | França – Itália – Suíça | 2017 | 92 min. | 14 anos
Título Original: Dopo la Guerra
Direção: Annarita Zambrano
Sinopse: Bolonha, 2002. Os protestos contra a lei trabalhista italiana
explodem nas universidades. O assassinato de um juiz reabre velhas
feridas políticas entre a Itália e a França. Marco é um ex-ativista de
esquerda que, graças à doutrina de Mitterrand, encontrou asilo na
França 20 anos atrás. Condenado na época por assassinato, ele é hoje
o principal suspeito de ordenar o ataque. O governo italiano exige sua
extradição, o que o força a fugir com Viola, sua filha de 16 anos. Sua
vida vai mudar para sempre, assim como o destino de sua família na
Itália, que terá de pagar pelas falhas do passado de Marco.

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DIÁRIO DA MINHA CABEÇA
Ficção | Suíça | 2017 | 70 min. | 14 anos
Título Original: Journal de Ma Tête
Direção: Ursula Meier
Sinopse: Poucos minutos antes de atirar em seus pais a sangue-frio,
Benjamin Feller (Kacey Mottet Klein), um rapaz de 18 anos,
aparentemente calmo, envia pelo correio um diário em que confessa e
explica o duplo assassinato para Esther Fontanel (Fanny Ardant), sua
professora de literatura. A associação dessa mulher ao ato de Benjamin
acontece alguns meses após ela incentivar os alunos a escrever um
diário. Esther se encontra interrogada pela lei, mas logo ela é
confrontada por suas próprias dúvidas. E se o gosto dela por uma
literatura assombrada pelos tormentos da alma humana a deixasse cega
diante da angústia de seu pupilo e do que estava escondido por trás da
prosa febril que ele a fez ler antes do crime?

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EU NÃO TENHO IDADE (PARA TE AMAR)
Documentário | Suíça – Itália | 2017 | 93 min. | 8 anos
Título Original: Non Ho l’Età
Direção: Olmo Cerri
Sinopse: Carmela, don Gregorio, Gabriella e Lorella nunca se
encontraram, mas têm muito em comum. Na metade da década de
1960, no auge da grande onda migratória, sozinhos ou acompanhados
de suas respectivas famílias, eles deixaram a Itália e chegaram à Suíça,
onde viveram por um período mais ou menos longo. Eles moraram no
país durante os difíceis anos de Schwarzenbach [James, político que
defendia “a Suíça para os suíços”], enquanto ouviam Gigliola Cinquetti,
uma jovem cantora pop de Verona que ficou famosa após vencer o
Festival de Sanremo em 1964 com a música Non Ho l’Età (Per Amarti).

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EU SOU A GENTRIFICAÇÃO. CONFISSÕES DE UM CANALHA
Documentário | Suíça | 2017 | 99 min. | 12 anos
Título Original: Die Gentrifizierung Bin Ich. Beichte Eines Finsterlings
Direção: Thomas Haemmerli
Sinopse: Um ensaio bem-humorado e pessoal que trata de arquitetura,
habitação, espaço, densidade, gentrificação e desenvolvimento urbano.
A narrativa abrange os diferentes lugares nos quais o diretor viveu,
começando por sua infância em um bairro rico, passando por ocupações,
apartamentos compartilhados, além da vivência em cidades como Tbilisi
(Geórgia), São Paulo (Brasil), Zurique (Suíça) e Cidade do México
(México). Tudo aqui é ridicularizado: os populistas de direita que têm
medo de perder espaço para os imigrantes e a esquerda que abandonou
a modernidade.

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GOLIAS
Ficção | Suíça | 2017 | 85 min. | 14 anos
Título Original: Goliath
Direção: Dominik Locher
Sinopse: Quando Jessy conta a David que está grávida, ele entra em
pânico. Poucos dias depois, os dois são agredidos no trem e, quando
David percebe que é incapaz de proteger a namorada, sua insegurança
e seus temores masculinos vêm à tona. Ele recorre, então, aos
esteroides e começa a treinar de forma excessiva e intensa.
Inicialmente, seus músculos lhe dão autoconfiança. Em pouco tempo,

no entanto, David passa a se comportar de forma imprevisível e torna-
se uma ameaça à Jessy e ao bebê que ainda vai nascer.

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HAFIS & MARA
Documentário | Suíça | 2018 | 88 min. | 12 anos
Título Original: Hafis & Mara
Direção: Mano Khalil
Sinopse: O filme conta a história dos últimos anos de um casal: o artista
suíço-libanês Hafis Bertschinger e Mara, sua fiel esposa e patrona. Ele é
um viajante incansável que cruza fronteiras entre diferentes mundos e
culturas e que, mesmo na velhice, ainda cria apaixonadamente. Hafis
adora experimentar e ser desafiado em suas pinturas e desenhos, nos
relacionamentos, no dia a dia. No entanto, sua dedicação incondicional
à arte e seu caráter impulsivo também causaram muita dor. A obra foca
não só o artista, mas a tranquila Mara, refúgio seguro de Hafis e quem
tornou seus voos artísticos possíveis.

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O TRIBUNAL DO CONGO
Documentário | Alemanha – Suíça | 2017 | 100 min. | 12 anos
Título Original: Das Kongo Tribunal
Direção: Milo Rau
Sinopse: A guerra no Congo causou mais de seis milhões de mortes
nos últimos 20 anos. A população está sofrendo, mas os criminosos
permanecem impunes. Muitas pessoas atribuem esse conflito aos
importantes depósitos de matéria-prima de alta tecnologia existentes
no país. Milo Rau consegue reunir vítimas, infratores, observadores e
analistas do conflito para um único tribunal civil no Congo Oriental. O
diretor cria um retrato simples de uma das maiores e mais sangrentas
guerras econômicas da história da humanidade.

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O SOM DA VOZ
Documentário | Suíça | 2017 | 82 min.
Título Original: Der Klang der Stimme
Direção: Bernard Weber
Sinopse: O longa apresenta quatro pessoas que testam as inúmeras
possibilidades da voz humana. Andreas experimenta sua voz para
desenvolver novos sons que o transformam. Regula está trabalhando
duro para alcançar um efeito surround natural de 360 graus. Matthias
tenta entender os segredos da voz a partir de sofisticados métodos
científicos. Por fim, as técnicas de Miriam inspiram as pessoas a
descobrirem suas próprias vozes.

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SOBRE OVELHAS E HOMENS
Documentário | Suíça – França – Qatar | 2017 | 78 min. | 14 anos
Título Original: Des Moutons et des Hommes
Direção: Karim Sayad
Sinopse: Habib, de 16 anos, sonha em treinar sua ovelha premiada
para que ela se torne uma campeã de briga entre animais de sua
espécie. Samir, um homem de meia-idade, quer apenas vender o
máximo de ovelhas antes que o Eid — celebração que marca o fim do
Ramadã — termine. Um retrato de dois homens em uma conturbada
comunidade da Argélia.

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TELEVISÕES
Documentário | Suíça | 2018 | 52 min. | 13 anos
Título Original: Televisionen
Direção: Fabian Kaiser, Luca Ribler
Sinopse: A televisão suíça fez suas primeiras transmissões para os lares
do país em 1o de janeiro de 1958. Essas imagens em movimento
moldaram a forma como nos vemos e a maneira como enxergamos
nossos semelhantes. Imagens de estranhos, parasitas, trabalhadores e
heróis. De criminosos e vítimas de guerra. Em cada episódio,
“Televisões” analisa diferentes estereótipos. Capítulo um: estrangeiros.

 

UM BATE-PRONTO DO OSCAR 2018

Um bate-pronto sobre os filmes indicados ao Oscar 2018. Pode assistir – todos valem o seu ingresso:

  • Guerra é o que há de mais concreto, é sempre assunto e só nesta temporada temos dois. Ambos histórias reais, ambos só acontecem por causa do primeiro-ministro inglês, Winston Churchill – curioso, talvez estejamos tão carentes de liderança que ficamos revivendo, sem parar, aqueles que já se foram. Dunkirk é fabuloso – no ar, na terra, no mar e no esforço de uma nação unida que ouve seu líder e se junta pra salvar seus soldados; O Destino de uma Nação é justamente sobre essa liderança – seu lado estratégico e humano, o forte e o fraco;
  • Ainda sobre guerra, mas a ideológica, a ética. Também história real. Guerra da mídia, pela informação e poder. The Post – A Guerra Secreta é sobre as mentiras que o governo conta pra gente, a importância de uma mídia livre e investigativa, e o preço da verdade. Papel social, cidadão, trabalho de equipe – e, de novo, a diferença que faz uma liderança nessa vida; nessa linha da ética, da meia-verdade, da pós-verdade: Tonya Harding, a patinadora que agride sua rival nas Olimpíadas e conta sua versão dos fatos. Eu, Tonya é um retrato dos pontos a mais de quem conta um conto;  
  • Todo mundo passa por isso e o tema sempre será pautado pelo cinema. Rito de passagem, adolescência para a vida jovem-adulta, do colégio à faculdade, dos pais à autonomia, da dúvida à descoberta. Lady Bird – É Hora de Voar recorta o momento, o lugar ordinário – e um dos mais complexos – das nossas vidas;
  • E por falar em sentimentos complexos, o maioral: o amor. A Forma da Água é um convite ao mergulho num universo de emoções, de imaginários, de sentidos, que prescinde de palavras. É visceral; Me Chame Pelo Meu Nome também vai nessa linha, mas é possível, a cara da paixão improvável, porém inevitável; Trama Fantasma vai na linha de que não há ponto sem nó, tecendo um emaranhado de sentimentos, num amor estiloso e intrigante;
  • Da magia do cinema de criar narrativas tragicômicas, absurdas, irreais e totalmente fora da caixa pra descrever nossos perversos, maldosos e preconceituosos sentimentos, dois exemplares: corra de Corra! se não gostar de filme estranho e de terror; mas se tiver estômago, encare. No fundo, a gente veste a carapuça desse preconceito velado e o filme, além de original, é muito bem amarrado. E mentes originais, mesmo que dentro do universo do absurdo, criam obras inacreditáveis: Três Anúncios para um Crime é uma sucessão de absurdos, de surpresas, de ironias, num emaranhado de relações humanas sem igual;
  • Da infância perdida, da vida de ilusões, mas da afetividade que nada contra a corrente e sobrevive apesar de tudo, temos o profundo, suave e triste Projeto Flórida; amor salva, só pode ser;
  • E quando não tem amor de nenhum lado, sobre preconceito e violência, a história se constrói na lama. Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi é um atoleiro só – mas foi a gente que inventou e se meteu lá dentro. Agora precisa sair.

 

MÚSICA + CINEMA = CINEPIANO

A ideia de rechear os filmes mudos com trilha sonora ao vivo é deliciosa. Este é o princípio do projeto CINEPIANO, de Tony Berchmans. Pianista (e cinéfilo, pelo jeito!), ele improvisa a música acompanhando a imagem, que ajuda a dar o tom da narrativa e transforma o cinema e a música em uma mágica experiência.

Domingo, dia 25, dois clássicos do cinema serão os astros, O Gordo e o Magro em Alegria em Dobro e Charlie Chaplin em Vida de Cachorro, num espetáculo em São Paulo (informações abaixo). Jeito suave e divertido de começar a semana.

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SOBRE OS FILMES

Alegria em Dobro (Double Whoopee, 1929) – O Gordo e o Magro

Duração: 20min

Neste curta-metragem da famosa dupla O Gordo e o Magro, Stan e Oliver trabalham em um luxuoso hotel cinco estrelas e estão sempre aprontando com os hóspedes, especialmente com um nobre prussiano ranzinza.

 

Vida de Cachorro (A Dog’s Life, 1918) – Charlie Chaplin

Duração: 35 min

Um dos eternos clássicos da primeira fase de Chaplin, o filme apresenta o lendário vagabundo adotando um cãozinho que, como ele, vive abandonado pelas ruas da cruel cidade. Juntos, enfrentarão uma divertida e emocionante aventura.

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Serviço CINEPIANO Tony Berchmans:

Tupi or Not Tupi 

Rua Fidalga, 360 Vila Madalena, São Paulo | 3813-7404

Data: domingo, 25 de fevereiro de 2018

Horário do show: 20h (a casa abre antes)

Couvert artístico: R$ 60,00 (50% de desconto para clientes Porto Seguro + acompanhante)