A PASSAGEIRA – MAGALLANES

Cartaz do filme A PASSAGEIRA – MAGALLANES

Opinião

Interessante, já pelo título. No original, Magallanes, quem é o centro é o motorista; na versão brasileira, A Passageira. Ou ainda: um foca no homem; o outro, na mulher. Um no poder dominador; outro, na dominada. Tudo tem dois lados nesta vida.

Um lado: Celina (Magaly Soler, ganhou Urso de Ouro em Berlim por A Teta Assustada) é uma moça simples e trabalhadora, com olhar triste e acuado. Está atolada em dívidas, pega um táxi, vai até sua credora tentar fazer um acordo. Humilhada, tenta se fortalecer numa espécie de grupo de autoajuda motivacional. O outro: Magallanes (Damián Alcazar) leva uma vida monótona como taxista e acompanhante de um idoso, até que entra em seu táxi uma moça com jeito tímido. Ele se esconde para não ser reconhecido, fica transtornado e passa a vigiar seus passos.

Há um ponto em comum no passado dos dois que vai se desvendando no decorrer do filme. São duas visões diferentes de um mesmo fato, mas que dão o tom da vida de cada um deles no presente. Tenso e intenso, A Passageira revela muito da postura latino-americana da repressão, da lei do mais forte, do abuso de poder militar e da inferior condição feminina, mais ainda agravada pela desigualdade social. Assim como em A Teta Assustada, A Passageira tem esses dois poderes que se chocam e se mostram interdependentes: a guerrilha (no caso peruano, o Sendeiro Luminoso) e o poder político oficial; o masculino e o feminino; o poder financeiro e a miséria social. A cara do nosso continente.

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