EM BUSCA DE IARA – CINEMA PELA VERDADE

Cartaz do filme EM BUSCA DE IARA – CINEMA PELA VERDADE
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Opinião

O último documentário que assisti sobre a ditadura me chamou a atenção pela direção. Um jovem cineasta resgata a história do pai e traz para o presente uma realidade que a sua geração não viu com os próprios olhos. O Dia Que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares, tem como fio condutor a liderança dos Estados Unidos na conspiração que culminaria no Golpe Militar de 1964, fundamentada em um vasto acerto de documentos. A ideia do filme é mostrar o mecanismo do início da ditadura que duraria 21 anos, mas também a trajetória de seu pai, o jornalista Flávio Tavares, um dos militantes soltos da prisão em troca da libertação do embaixador norte-americano em 1969, sequestrado por ativistas contrários ao regime militar.

Agora me deparo com Em Busca de Iara, também roteirizado por uma jovem, que resgata a história da família, reabre suas cicatrizes e expõe a violência da ditadura. Com direção de Flávio Frederico, o argumento do filme é de Mariana Pamplona, sobrinha da guerrilheira Iara Iavelberg – uma mulher de família rica judia, que deixa a boa vida e junta-se aos militantes contrários ao regime militar, vive na clandestinidade, participa de ações armadas e sequestros, torna-se companheira de Carlos Lamarca e consequentemente alvo da repressão militar. O objetivo de Mariana é resgatar a história da família, destroçada com o destino de Iara, e provar que a hipótese dos militares é falsa: Iara não se suicidou, mas foi assassinada.

Interessante este movimento de resgate da memória por pessoas cujas famílias foram profundamente impactadas pela ditadura, mas que eram pequenas demais na época para entender o que acontecia. Em Busca de Iara tem um tom bastante pessoal, com Mariana transitando entre os entrevistados, dando voz à sua pesquisa e mostrando que a emoção da perda e da violência ainda está bem viva. Assim como no caso de Iara, a tese do suicídio foi usada como desculpa de assassinatos, como foi provado em diversos casos nos últimos anos.

Em 2015 faz 30 anos da volta da democracia no Brasil e a 4a edição da Mostra Cinema Pela Verdade exibe quatro documentários em diversas universidades do país. Em Busca de Iara (12 anos, 90 min, Brasil, 2013) é o filme de abertura no Rio de Janeiro dia 10 de março (ver programação na página da Mostra no Facebook: www.facebook.com/CinemaPelaVerdade) e representa bem o estrago que fez a ditadura na sociedade.

Para quem não puder acompanhar e quiser saber o que o cinema produziu com o pano de fundo da repressão militar, o Cine Garimpo tem uma lista de filmes sobre a ditadura, que merecem a sua atenção.

 

Outros filmes selecionados pelos organizadores da Mostra são:

Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg  

Documentário, 10 anos, 90 min., Brasil, 2014.

Sinopse: Durante o ano de 1982 a ditadura militar completava 18 anos. A música popular brasileira sobrevivia de metáforas, devido a grande opressão e censura, e o clube de futebol Corinthians passava por um período interno turbulento. No meio disso, o rock nacional começava a nascer. O filme mostra como a música, o esporte e a política se encontraram para mudar o rumo da história do país.

 

Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fábio Bardella e André Lorenz Michiles

Documentário, 12 anos, 80 min., Brasil, 2014

Sinopse: A vida de Osvaldo Orlando da Costa, comandante da Guerrilha do Araguaia que virou herói entre o povo local, por conta de sua coragem e generosidade. Muitos até o consideram como um ser mítico. Uma visão não só da lenda ao redor do nome de Osvaldão, mas também de suas aventuras humanas. Vindo de uma família de ex-escravos, uma trajetória onde um jovem campeão carioca de boxe na década de 1950 se transforma em um dos principais guerrilheiros do país.

 

500 – Os bebês roubados pela Ditadura Argentina, de Alexandre Valenti

Documentário, 14 anos, 100 min., Brasil/Argentina, 2013

Sinopse: Entre 1976 e 1983, a Argentina viveu sombrios anos de ditadura militar. Neste período, famílias inteiras foram despedaçadas pela repressão clandestina empreendida por um estado terrorista que ceifou a vida de cerca de 30 mil argentinos. Dentre as práticas mais aterradoras deste regime estava o sequestro sistemático de bebês e crianças, filhos de presos e desaparecidos políticos, que eram apropriados por seus algozes com espólio de guerra. A partir da iniciativa das Avós da Praça de Maio criou-se o “Banco dos 500”, com amostras de seu próprio sangue, o que possibilitou a descoberta de 114 das 500 crianças sequestradas. Reunidos às suas famílias reais e às suas verdadeiras identidades, os jovens nascidos nas maternidades dos campos da morte, juntamente com as Avós da Praça de Maio confrontam, em 2011, perante o Tribunal de Buenos Aires, os dignitários da mais sangrenta ditadura Argentina, acusados de genocídio e crimes contra a Humanidade: um caso histórico, único e universal. O documentário “500 – Os bebês roubados pela Ditadura Argentina” narra esta incansável luta das avós e seus netos que continua, diariamente, até que o último dos “500” seja encontrado.

 

Em Busca de Iara, de Flávio Frederico 

Documentário, 12 anos, 90 min., Brasil, 2013

Sinopse: Através de uma investigação pessoal de sua sobrinha, Mariana Pamplona, o filme resgata a vida da guerrilheira Iara Iavelberg. Uma mulher culta e bela, que deixou para trás uma confortável vida familiar, optando por engajar-se na luta armada contra a ditadura militar. Vivendo na clandestinidade, na esteira de uma rotina de sequestros e ações armadas, tornou-se a companheira do ex-capitão do exército Carlos Lamarca, compartilhando com ele o posto de um dos alvos mais cobiçados da repressão. O filme desmonta a versão oficial do regime, que atribui sua morte, em 1971 a um suicídio.

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