FESTIVAL DE CANNES 2011

Cartaz do filme FESTIVAL DE CANNES 2011
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Opinião

Muito já se disse sobre o cinema enquanto extensão da vida e da vida enquanto caldeirão de repertório para o cinema. Se assim é, fica cada vez mais difícil separar as ideias que rondam os festivais, as atitudes dos envolvidos na produção dos filmes, do cinema em si. A arte imita a vida e Cannes é assim: o palco mundial do cinema e das celebridades, mas também lugar de contestações políticas, questionamentos comportamentais e posturas controversas.

O 64º Festival de Cannes terminou depois de 10 dias que deram o que falar. Embora tenha rendido vaias e não seja um modelo de filme comercial, é sim o protótipo de filme de festival: A Árvore da Vida, do diretor americano Terrence Malick, vence a Palma de Ouro, conta com Brad Pitt e Sean Pean no elenco e tem estreia programada para 23 de junho no Brasil. Pode até não ser um blockbuster ou um filme típico do circuito comercial, mas certamente deve ser mais atraente do que foi o vencedor da Palma de 2010, o tailandês Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas.

Mas o que roubou a cena aconteceu dias antes da premiação­. Declarações pró-nazistas como as do diretor dinamarquês Lars Von Trier, de Melancolia (e também do conturbado Anticristo) chocam, mas infelizmente ainda são ditas por aí, seja por diretor de cinema, seja por estilista. Mas a sua expulsão do festival foi um ato de coragem e não podia ser diferente. Palco da liberdade de expressão, não há como tolerar tamanha agressividade. Puniu quem errou e deu à atriz de Melancolia, Kirsten Dunst, o prêmio de melhor atriz. Premiou quem acertou.

O Grand Prix foi dividido entre o filme do diretor turco Nuri Bilge Ceylan, Anatolia, e o dos irmãos belgas Dardenne (também dos premiados A Criança e O Silêncio de Lorna) O Garoto de Bicicleta – já comprado por distribuidora brasileira. Embora não tenham entrado na competição, alguns filmes foram apresentados em Cannes e já estão em cartaz no Brasil. Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Misteriosas é um deles. Mas por uma curiosidade no quisito comportamento, Um Novo Despertar, de Jodie Foster, criou também uma dúvida que não quer calar. Com Mel Gibson no elenco, no papel de um sujeito deprimido e problemático, seria a arte imitando a vida?

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